Você se responsabiliza pelas escolhas que fez e faz na sua vida?

O tema de hoje não tem a ver com culpa, não tem a ver com punição por algum erro cometido, até porque somos humanos e erramos.

Pensei em escrever sobre esse tema para que reflitamos que o que eu estou vivendo hoje, faz parte das escolhas que fiz na minha vida, mesmo inconsciente, mesmo não querendo estamos sempre fazendo escolhas.

Inclusive, não escolher também é uma escolha e tem suas consequências na trajetória da nossa vida.

Estamos no momento onde nos colocamos e assim temos que usar nossa inteligência, nossos recursos internos, (ou seja, o modo como resolvo meus problemas), para nos apropriarmos do nosso destino, caso contrário estaremos fadados a nos colocarmos no papel de vítima de tudo.

Devemos sempre nos responsabilizar pelos nossos atos, se não ficaremos parados sem progredir.

É muito mais cômodo acusar o outro pela nossa infelicidade, é muito mais cômodo culpar o externo pelos nossos sofrimentos, mas se somos capazes de nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas da vida, olharemos para os nossos “defeitos” só que olhar para as nossas mazelas, nossa sombra, dói né?

Mas é preciso. Isso é autoconhecimento, é autoaceitação. Olhar para as nossas fraquezas, nossos defeitos e dizer: Tudo bem, errei, mas eu quero melhorar. Enquanto não nos apropriarmos das nossas escolhas “boas ou ruins” não conseguiremos prosseguir, pois o caminho e a história da sua vida quem faz é você.

Mas o que é Autorresponsabilidade? É capacidade de saber que somos os autores da nossa história e que podemos escrever e reescrever através das nossas escolhas.  Estamos nesse momento aonde nos colocamos. não há coincidência nenhuma nisso.

Sem querer transferir as responsabilidades para ninguém, pois ela é exclusivamente sua. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Colhemos o que plantamos. No fundo nós sabemos dessas leis, mas é muito mais fácil e mais cômodo, com nosso pensamento imaturo ou infantil esperar do outro.

Quero propor um exercício agora. Vamos parar por alguns momentos, e observar como está a nossa vida. Vamos refletir, lá no nosso passado e as escolhas que fizemos até hoje. Pense com carinho. Vocês conseguem encontrar alguma relação do que está vivendo agora, com as escolhas que fez no passado? Sem julgamento, sem críticas.

As nossas aflições, angústias, ou coisas boas também tem início de escolhas que fizemos no passado, tem a ver com o caminho que seguimos. e estamos hoje aqui, vivendo nossa colheita.

Como queremos plantar brigas e colher a paz? Como também não é possível plantar amor e colher o ódio.

Tudo que vivenciamos é responsabilidade nossa, mas você pode me perguntar: Aquela pessoa me feriu, meu sócio me roubou, meus pais são muito complicados, meu namorado me traiu. Eu tenho responsabilidade?

Vou te contar um segredo: Nós deixamos a porta aberta para essas pessoas entrarem, nós de alguma forma, ingenuamente talvez, permitimos que eles entrassem em nossas vidas e nos fizessem mal. Mas o que fazer com tudo isso? Sou culpado? Não! A grande maravilha da vida está ai, você pode recomeçar e fazer diferente! Dói? Dói! É difícil? É difícil! mas você consegue se quiser! Vamos voltar a plantar o bem, coisas boas! Se apropriar de suas escolhas e fazer diferente.

Na psicoterapia fazemos exatamente esse exercício, conhecemos nossas fraquezas, entendemos o porquê daquele nosso funcionamento e colocamos a mão na massa para mudar! Não é nos culpar, pois a culpa paralisa e nos coloca no lugar de vítima. Responsabilizar é entender que naquele momento você fez aquelas escolhas com o que tinha e sabia na época. ok! tudo bem, se perdoe, entendendo que foi o melhor que você pôde fazer naquele momento mas se hoje estou sofrendo, preciso mudar e começar a fazer novas escolhas. encontrar um novo caminho.

Perdemos muito tempo e gastamos muita energia olhando para o outro, culpando o outro e perdemos a oportunidade de aprender com aquela situação que está nos fazendo sofrer. Momento de crise também é momento de aprendizado.

Autorresponsabilidade é olhar para o nosso interior e nos dá a oportunidade de escolha, novas escolhas nos abre um leque de opções. Temos a liberdade de escolha, nosso livre arbítrio, um dom que nos difere dos outros animais, então que façamos boas escolhas daqui para frente, pois temos a moral dentro de nós, que é aquela consciência profunda do que é certo e errado, então a escolha é nossa do que fazer.

Quando nos apropriamos de nossas escolhas, nos sentimos livres, livres de julgamento, livre de culpa, livre dos outros, pois como falei no início, somos autores de nossa própria história, e a cada hora, a cada dia podemos recomeçar.

Mas é mais fácil culpar aquele chefe severo, é mais fácil culpar o filho difícil, o político corrupto, né?

Mas vocês podem me perguntar por exemplo: mas, fui assaltado, eu sou responsável também? Claro que não, existem muitas situações externas que fogem do nosso controle. Fui agredido, fui insultado. Tudo bem, aconteceu, não podemos mudar. Foi traumático, pode ter deixado marcas.

Porém,  é nossa responsabilidade o que faremos com essa situação. Vamos nos lamentar, nos vitimizar pelo ocorrido, ou iremos buscar ajuda para aliviar nosso trauma, para recuperar nossa saúde física e mental? Vocês entenderam o que é Autorresponsabilidade? Existem situações que fogem ao nosso controle, mas o que farei daquilo que fizeram comigo?

Sartre, que foi um grande filósofo francês, faleceu em 1980 escreveu: “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim”.

Não entregue a chave da sua vida nas mãos dos outros, existem pessoas que reagem pelo impulso, são muito reativas, essas pessoas apenas reagem aos acontecimentos da vida, esperando o dia com sol, esperando ter dinheiro, esperando ganhar na mega sena, enfim… apenas reagem e deixam a vida levar elas. E existem aquelas pessoas proativas, que é o responsável pelo seu próprio caminho, faça chuva ou faça sol, elas carregam o tempo bom dentro de si.

Vamos lembrar sempre, você está exatamente aonde se colocou, precisamos nos autorresponsabilizar para progredir como, vida espiritual, profissional, familiar, afetivo, social. Vamos olhar para dentro de nós, para o que precisamos modificar.

Seja honesto com você e tome as rédeas da sua vida, isso é empoderamento, palavra muito usada hoje em dia. Eu tenho o poder de modificar a trajetória da minha vida.

O que te impede de mudar? Seja honesto e esqueça o que os outros te fizeram.

O que hoje está ao meu alcance que eu posso modificar? Vamos passo a passo, porque também tem aquele tipo de pessoa que resolve mudar e diz, pronto! Vou mudar tudo! De hoje em diante vai ser tudo diferente. Tenha calma, e aceite também as suas limitações, vamos recomeçar devagar. Tomando a consciência da nossa responsabilidade, nos apropriando do que é seu e deixando para trás o que é do outro. Sem chicote, sem julgamentos. sem culpas. Vamos retirar a roupa de vítima que habita em nós

Na Autorresponsabilidade há o medo, medo do desconhecido, medo do que vou encontrar, medo de não dar conta…

Mas nesse trabalho de autoconhecimento o medo vira nosso “bichinho de estimação” a gente consegue encarar ele e ir em frente.

A qualidade dos nossos pensamentos é algo extremamente importante também, pois diversos estudos mostram que aquelas pessoas que possuem o pensamento positivo acabam tendo mais oportunidades, uma vida mais tranquila do que pessoas que possuem medo de tudo e tem o pensamento negativo, que vivem se lamentando, eles acabam atraindo para si aquelas imagens que formam na mente.

Sabe aquelas pessoas que reclamam de tudo, estão sempre doentes, tudo acontece sempre com elas? Primeiro, afasta as pessoas de perto, pois é muito difícil ficar ao lado de quem reclama de tudo. Segundo,  essas pessoas passam pelas oportunidades e a deixam ir embora, pois estão vendo a vida pela lente escura, a lente da vitimização. Isso é Autorresponsabilidade também.

Eu sou responsável pelo que penso, pois, pensamento, palavra e ação. Então devemos ter o hábito de cultivar bons pensamentos, sabemos que é difícil, mas é questão de se dar conta que está pensando, e direcionar para uma coisa boa. A tomada de consciência ajuda em tudo, pois quando tomamos consciência que estamos pensando o que não deveria, a gente acaba mudando a frequência dos pensamentos.

 

Escrito por Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

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Seja criança e entre na dança! (sobre nossa criança interior). Por Kate Portela

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Certamente, você já ouviu falar que nós, os adultos, temos uma criança interior dentro de nós.
Sim.
Mas já lhe contaram que é muito bom quando nós a acolhemos e a nutrimos?
Ser criança, nesse caso, é brincar de ser feliz, é “ter fé em Deus, ter fé na vida e tentar outra vez”.
É estar aberto à novidade e à aventura, é ser corajoso e às vezes querer colo.
É ter olhos brilhantes!
Ana Bittencourt, na música Dom Singular, sugere poeticamente:
“A criança que já fui
Hoje não sou mais.
Um adulto me tornei
E perdi a paz
Se desejo me encontrar
Hei de resgatar em mim
A criança interior.:
E há tantas coisas para tirar a nossa paz…
Corrupção.
Violência.
Preconceito.
Desemprego.
Analfabetismo.
Desrespeito…
É preciso ir além, mergulhar dentro de nós e sentir toda a riqueza e potencial que armazenamos a cada nova vivência, a cada nova experiência.
E… recomeçar…
Como a criança que cai, e se levanta.
Vamos.
Vamos todos.
Vamos “de mãos dadas”!…
Kate Portela – Professora da língua Portuguesa, Escritora e Contadora de Histórias. 

A importância da leitura na formação das crianças – Por Kate Portela.

Ler ajuda na formação da criança: a leitura traz esperança!
Quero falar sobre leitura, sobre cultura…
Nada mais atual.
Ler é algo mágico, fantástico…
A leitura influencia no comportamento, é como ganhar um talento.
Quando você abre um livro, há um mundo a ser descoberto: o mundo do próprio livro e o seu próprio mundo.
Você se descobre.
E se lê para uma criança, você vai desvendando o mundo sagrado da infância, seus desejos, seus medos…
Ler é um encontro.
É por isso que tantos especialistas incentivam a leitura compartilhada.
Está lendo um jornal? Com certeza há algo interessante para dividir com seu filho; selecione e… emocione.
Está lendo uma revista? Há alguma figura interessante? Selecione e divida com sua neta.
Vai ler um livro infantil para o afilhado? Vai servir para você; pode crer. As ditas histórias infantis são incríveis e profundas.
Você vai virar criança… e ser adulto às vezes cansa…
É preciso ter esperança.
Menos violência, mais inocência!
Menos crueldade, mais amizade!
Menos corrupção, mais diversão.
Menos insegurança, mais confiança!
Vamos fazer essa aliança?…
Kate Portela – Professora da língua Portuguesa, Escritora e Contadora de histórias. 
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COMO LIDAR COM AS PERDAS

Eu gostaria de propor a ideia de que para compreender nossas vidas, precisamos compreender como lidamos com as nossas perdas.

E o que são perdas?

Algo que acontece em nossas vidas independente das nossas vontades, foge do nosso controle e vai… se afasta… já não temos mais controle.

Quando pensamos em perdas, pensamos em morte de pessoas que amamos, mas a perda que estou explicando, abrange muito mais que isso. Em nossas vidas, ao longo do nosso caminho, temos muitas perdas…perdemos não só pela morte, mas por vários outros motivos. E o que não é a vida se não uma sucessão de perdas e ganhos? Perdemos quando somos abandonados, perdemos quando mudamos de casa, quando mudamos de relacionamentos, perdemos a liberdade, a saúde, a juventude e temos que lidar com as rugas, as marcas do tempo. Perdemos quando viramos mães, pais, pois saímos da posição de filhos para ocupar um outro lugar. Perdemos quando olhamos para os nossos filhos e vemos que eles não são mais crianças, já viraram adultos…perdemos nossos sonhos, nosso padrão de vida (muito comum hoje em dia com a situação do pais, perdemos a segurança.

Nós iniciamos nossa vida com uma perda. Que perda é essa? A perda do aconchego do útero materno, perdemos nossa primeira segurança. Depois, crescemos e perdemos o corpo infantil, perdemos a posição de criança e somos lançados nesse mundo! A vida vira uma sucessão de perdas. Isso é ruim? Não! Cada perda é um aprendizado, cada perda é uma história que temos para contar.

Eu comecei falando que para compreender as nossas vidas é preciso compreender como lidamos com as nossas perdas. Essa frase faz parte do livro que se chama Perdas Necessárias da autora Judith Viorst. E o tempo todo no livro ela se propõe a mostrar que perdas são necessárias para nosso crescimento como seres humanos. Pois para crescer temos que perder, abandonar e desistir.

Durante nossa caminhada na vida crescemos e abrimos mão, renunciamos de muitos sonhos e projetos. Mas o principal é o que faremos com essa perda. A escolha é nossa e ninguém poderá fazer por nós. Ou escolhemos nos lamentar, parar nossa vida por conta do vazio ou escolhemos lutar e preencher essa lacuna com outros objetivos. Temos que ter resiliência, ou seja, que é a capacidade de lidar com os problemas da vida, adaptando-se as mudanças, superar obstáculos encontrando soluções para enfrentar.

É fácil lidar com a perda? Seja qual for? Claro que não. Não é. Dói, machuca, nós sofremos muito, mas precisamos encontrar uma saída. Pois talvez essa perda conviva conosco pelo resto da vida. Mas o que faremos dela? Ressignificar, dar um novo sentido a ela.

Há diversos exemplos de pessoas que deram outro sentido a suas dores. Por exemplo a perda do cantor cazuza em 1990, quando faleceu com a doença HIV, foi uma grande perda, não só pela sua família, mas para todos nós. A mãe dele, em seguida criou a Sociedade Viva Cazuza que cuida de crianças portadoras de HIV. Ela fez da perda do seu único filho, da sua dor um ato de amor ao próximo. Esse é um exemplo de outro sentindo a uma perda. Ela esqueceu do filho? Esqueceu da perda? Não. Mas deu um rumo novo a sua dor.

A perda de um amor. Quem nunca sentiu aquela dor de cotovelo? De perder um grande amor? Só o tempo pra curar.

Não podemos e nem devemos ter o pensamento infantil de achar que porque eu? Por que deus fez isso comigo? Ninguém fez nada com você! É o rumo da vida. As coisas acontecem e precisamos ser maduros para lidar com esses momentos de perdas e crise e aproveitar a oportunidade para revermos a vida, nossos conceitos e nossas crenças.

Procurar ajuda profissional, procurar um psicólogo vai te fazer rever seus conflitos internos, suas crenças, seus medos, pois na perda ha o medo do que vem depois? E agora? Na perda, há a perda de controle da situação e ficamos apavorados.

A psicoterapia vai te ajudar a olhas as situações por um outro ângulo com novas possibilidades, revisitar nosso eu interior e nos refazer.

Muito comum quando a esposa fica viúva ou o marido viúvo tem a fala: como será a minha vida agora? Sem ele do meu lado? Eu vivia para ele, e agora? Vamos buscar seu lado saudável, respeitando o período do luto, mas vamos tentar encontrar quem é essa pessoa além da esposa? Quem você era? Pois você perdeu a posição de esposa ou marido, mas ainda continua viva! O que vamos fazer agora? Nós ganhamos evolução pessoal quando colocamos de lado nosso ego e suportamos a dor da perda.

“Na natureza nada se perde, tudo se transforma” já dizia Lavoisier.

Importante viver essa perda, viver essa dor, não esconda embaixo do tapete nem finja ser forte. Sinta a dor e busque ajuda negar, estaremos protelando a dor.

Aceitar que não teremos mais aquilo, dando outro sentido para o vazio que a dor deixou, por algo positivo. Você pode escolher, ou viver se lamentando pela vida toda ou ter a coragem de continuar vivendo com todas as nossas cicatrizes das perdas, pois esse é o objetivo da vida, viver superando sempre!

Tenha autocompaixão, não se culpe pelo momento de dor que você está vivendo, perdas ocorrem na vida de todos nós. Encontre forças e busque ajuda que a vida segue em frente. Temos a mania de olharmos sempre para o negativo das perdas, mas o que sobrou dela, há muitas coisas boas em volta!

Vamos sempre lembrar: somos protagonistas de nossas vidas

Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

 

COMO VOCÊ FAZ PARA COMPENSAR SUAS ANGÚSTIAS E FRUSTRAÇÕES?

 

 

Chamamos de métodos compensatórios os atos que fazemos para descarregar nossas tensões, para “esconder”, “disfarçar” momentaneamente o que estamos sentindo. Suprindo a falta de algo.

Um método muito comum e aceito pela nossa cultura é o uso abusivo de álcool. Aquela famosa frase: “Vou beber para esquecer. ” Uma forma de disfarçar o problema ao menos no momento e que acaba aliviando a tensão. Tal comportamento anestesia alguma dor, um sofrimento, mas o problema volta até com mais intensidade depois. Ler mais

QUAL A SUA RELAÇÃO COM A COMIDA?

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Comida e afeto estão entrelaçados. Desde quando nascemos, bebezinhos, aprendemos que ao menor incômodo nossa mãe ou nosso cuidador nos daria o seio ou a mamadeira e isso nos acalentava.

Assim atrelamos comida a alívio, calmante e prazer. E essa atitude não é ruim, pelo contrário, faz parte do processo natural do nosso desenvolvimento. Quando estamos doentes e alguém querido faz aquela canjinha… E não é que a gente melhora? E o significado do primeiro pedaço de bolo? Nós presenteamos aquela pessoa que tanto gostamos com comida! A comida permeia nossa vida. Nos socializa, nos une. A própria palavra comemorar já vem recheada de significado. COMER-MORAR, um aniversário, um emprego novo, um noivado, o início de um novo ano…

Mas como está a nossa relação com a comida?

Perdemos a mão quando, para disfarçar os problemas da vida, utilizamos a comida como válvula de escape. Perdemos a mão quando a comida vira apenas calmante, quando se torna nossa única fonte de prazer para distrair nossa mente dos reais acontecimentos da vida. Para fugir de um problema. Ai passamos a ter um comer transtornado.

O contrário também pode acontecer, quando nos avaliamos e nos julgamos somente por nosso peso e forma. E passamos a ter uma relação restritiva com a comida, deixando de comer adequadamente para perder alguns quilos.

Todas essas formas de lidar com a comida podem ser tratadas por profissionais especializados: Psicólogos, Nutricionistas, Médicos dentre outros.

Primeiro precisamos entender que somos muito mais que apenas nossa forma e nosso peso. Temos muitas qualidades, podemos e devemos ser vistos por outras áreas da nossa vida: como profissionais, pais, mães… Temos talentos e somos muito mais que nossa imagem.

Não precisamos ser sexy o tempo todo nem magros nem sarados nem esculturais. Somos humanos, e cada um de nós carrega sua história. E ao longo do tempo nosso corpo se modifica, e é aí que está a beleza da vida!

Se envelhecemos? Sim! O tempo todo e para todos! Devemos nos cuidar e nos respeitar, porém sem exageros.

É nos aceitarmos, nos trabalharmos (e aí está a importância da psicoterapia), nos olharmos com autocompaixão, autoamor e sem cobranças. É ouvir e entender os sinais do nosso corpo: fome, saciedade, sede, sono…

Então, vamos manejar nossos medos, ansiedades e expectativas para que nossa relação com a comida se torne saudável e natural?

 

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Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

O Medo nas Crianças

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Vamos iniciar com a definição: medo é uma perturbação que resulta da ideia ou de um perigo real ou aparente, ou da presença de alguma situação estranha ou perigosa para ela. Muitas vezes a criança está nos sinalizando com o medo de que algo não anda bem e os pais precisam estar atentos a esses sinais. Atendendo crianças, podemos frequentemente observar que elas trazem as angústias dos adultos, dos pais. São utilizadas várias técnicas para lidar com esse medo e cada profissional da área da Psicologia utiliza a sua própria abordagem.

Meu objetivo aqui é sinalizar aos adultos como lidar com essa situação. Mas lembrando: procurar uma ajuda profissional é algo bem-vindo para melhor acompanhamento da criança.

É uma situação difícil quando a criança demonstra algum tipo de medo, pois toda a família acha complicado lidar com o nível de estresse que a criança apresenta quando a situação se desencadeia. E, dependendo da reação da família, há a chance desse medo se tornar cada vez maior, ficando ainda mais difícil uma situação assim ser enfrentada.

Não é aconselhável aos pais minimizar ou ignorar o problema esperando que o medo desapareça sozinho. A autoestima da criança pode ser abalada caso os pais não levem a sério os seus temores. Pior ainda: há pais que ridicularizam o medo do filho na frente de outras pessoas – e isso é algo realmente horrível.

O mundo da criança é recheado de fantasias. Uma das técnicas utilizadas por psicólogos em situações de medo é a da imaginação, uma técnica que ajuda a criança a desenvolver um pouco de controle sobre o desconhecido.

Vou dar um exemplo: uma criança que sente medo de cachorro. Algo que os pais podem fazer é, primeiro, conversar sobre esse medo, explicar a situação real. Depois obter, quem sabe, um cachorrinho de pelúcia, mostrar à criança esse cachorro e fazer a criança pegar nele, brincar com ele. Mais adiante, levar a criança a um local onde se adote cachorros, dentro da gaiola. Mostrar à criança o animal, tentar fazer com que ela tente acariciá-lo, tente interagir com ele. Tudo de maneira muito natural, gradual, sem ansiedade. Por último, se possível, levar a criança à casa de um amigo que possua um cachorrinho dócil.  E ir experimentando a aproximação da criança com esse animal. Conversando e brincando. Pronto! Tudo muito de forma natural para a criança, sem provocar estresse nem forçar uma situação.

Os pais ou responsáveis têm papel fundamental no controle do medo de uma criança, pois o universo dela é rodeado de medos e fantasias. Medos e fantasias que ela já traz da televisão, dos contos de fadas e etc. Às vezes esses medos geram muito sofrimento. Se isso não for tratado de uma forma positiva e saudável, esse sentimento de medo pode crescer e se tornar uma fobia.

Sempre conversar com a criança sobre o medo, de forma natural, é a primeira forma de fazer ela se sentir segura para falar sobre o que a atormenta. Para a criança, esse sentimento de medo é real e é causa de muita ansiedade. Ela precisa se sentir segura e saber que vocês, pais ou responsáveis, estão ao lado dela.

Há posturas que devem ser evitadas para não gerar maior desequilíbrio:

-Brigar com a criança quando ela manifesta o medo.

-Obrigar a criança a passar pelo medo.

-Gritar e pressionar para que ela passe por alguma situação que a assuste na frente de outras pessoas.

O medo da criança é de algo desconhecido (fruto da imaginação). Conversar e explicar a ela como as situações acontecem e mostrar a diferença entre o que é real e o que é fantasia pode aliviar o estresse.

Em muitos casos, o medo aparece quando os adultos querem impor limites e ameaçam a criança com uma causa externa, tipo o bicho-papão. Atitudes desse tipo tornam as crianças inseguras. O ideal é colocar limites explicando o porquê daquela situação.

Os pais devem sempre passar confiança e segurança para seus filhos, assim fica mais fácil lidar com seus medos e inseguranças.

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Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

A importância do afeto nas crianças

Afeto-e-cuidado-são-essenciais-para-a-formação-de-seu-filhoPrimeiro precisamos ter em mente que o desenvolvimento infantil se inicia no útero materno e a percepção de afetividade é sentida pelo feto desde o princípio da gestação. Os pais precisam a todo o momento demonstrar carinho e afeto com a criança que está para chegar.

Dependendo do estado emocional da mãe, são gerados hormônios que são levados ao bebê, que, por sua vez, consegue perceber se a mamãe está  sentindo dor ou prazer e divide com ela essas sensações.

Manifestações de carinho com o neném ainda no ventre são importantes. Cantar para ele, conversar, fazer carinho na barriga fazem com que o bebê se sinta seguro, feliz e protegido. Da mesma forma, se a gravidez for um período tenso para os pais, isso fará com que a criança tenha uma grande chance de manifestar ansiedade, de sentir medo e insegurança, pois isso é o que ela terá aprendido e sentido durante a vida intrauterina.

Para o estudioso Henry Wallon, psicólogo francês, o desenvolvimento da afetividade é o resultado da interação orgânica e social entre o feto e a mãe. Ou seja: se no início as manifestações de afetividade são fisiológicas por parte do bebê, aos poucos isso vai se modificando, de acordo com a interação social da criança. Daí ela vai transformando seu mundo psíquico conforme a afetividade que for recebendo. O estudioso vai ainda mais longe, enfatizando que o desenvolvimento da inteligência vai depender de como essa criança ainda no ventre for educada com demonstrações de carinho e afeto. A cognição está diretamente relacionada com a afetividade.

O que podemos aprender com isso? Que, como pais e educadores, temos que, desde os primeiros dias do bebê, tratá-lo com afeto, responsabilidade e respeito. O adulto vai criando, mesmo antes do raciocínio do bebê, um elo que os unirá pela emoção. E a criança vai se identificando com o cuidador e assim se sentindo segura e amada.

Com o tempo, o bebê sentirá necessidade de outras manifestações de afeto. No início, a amamentação (que será a primeira manifestação de afeto da mãe com o bebê), a mamadeira, o colo e o aconchego. Depois, já maior, ela irá reclamar atenção, diversos cuidados e – o mais importante – o amor.

Como será essa manifestação de amor? Impondo limites, ensinando e orientando. A entrada na vida escolar também será um período importante para essa criança e quanto mais tranquilo esse momento, mais segura ela se tornará perante os acontecimentos de sua vida.

É importante a educação dos filhos com a firmeza e a segurança dos pais. Firmeza e segurança não significam punição nem castigo, e sim os pais estarem certos daquilo que estão fazendo, sempre com amor. Firmeza com carinho! As crianças se tornarão seguras, mesmo em um momento ou outro não concordando com a atitude dos pais.

É muito comum os pais prometerem algo aos filhos e depois descumprirem a promessa. Essa atitude causa confusão nas crianças, pois no futuro elas poderão não acreditar nas palavras dos pais. Por isso, é importante sempre cumprir o que for dito a elas.

Também é muito comum, hoje em dia, as famílias estarem divididas, os pais separados, e muitas vezes as crianças serem educadas por avós ou outros cuidadores. Porém, se a base da educação estiver alicerçada em carinho, estímulo e paciência, as chances são enormes de uma criada por terceiros se tornar um adulto psiquicamente sadio e pronto para enfrentar as adversidades da vida.

Ser autoritário demais ou dar muita liberdade ao filho é prejudicial à educação desse indivíduo. Crianças que não se frustram têm grandes chances de se tornarem adultos egoístas, pois não aprenderam a não poder, pois tudo lhes foi permitido. Dizer não de vez em quando a uma criança também é dar amor, pois agindo assim os pais estarão prevenindo consequências negativas no futuro dos filhos. Mas pais muito autoritários podem criar adultos inseguros, pois não permitir às crianças fazerem algumas escolhas, escolherem por elas mesmas, é prejudicial ao desenvolvimento delas.

O equilíbrio, o caminho do meio, é a direção certa para a educação. Quando não falta amor, carinho e dedicação, a vida educativa dos filhos se torna tranquila, bonita e confiante.

Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

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