Eu gostaria de propor a ideia de que para compreender nossas vidas, precisamos compreender como lidamos com as nossas perdas.

E o que são perdas?

Algo que acontece em nossas vidas independente das nossas vontades, foge do nosso controle e vai… se afasta… já não temos mais controle.

Quando pensamos em perdas, pensamos em morte de pessoas que amamos, mas a perda que estou explicando, abrange muito mais que isso. Em nossas vidas, ao longo do nosso caminho, temos muitas perdas…perdemos não só pela morte, mas por vários outros motivos. E o que não é a vida se não uma sucessão de perdas e ganhos? Perdemos quando somos abandonados, perdemos quando mudamos de casa, quando mudamos de relacionamentos, perdemos a liberdade, a saúde, a juventude e temos que lidar com as rugas, as marcas do tempo. Perdemos quando viramos mães, pais, pois saímos da posição de filhos para ocupar um outro lugar. Perdemos quando olhamos para os nossos filhos e vemos que eles não são mais crianças, já viraram adultos…perdemos nossos sonhos, nosso padrão de vida (muito comum hoje em dia com a situação do pais, perdemos a segurança.

Nós iniciamos nossa vida com uma perda. Que perda é essa? A perda do aconchego do útero materno, perdemos nossa primeira segurança. Depois, crescemos e perdemos o corpo infantil, perdemos a posição de criança e somos lançados nesse mundo! A vida vira uma sucessão de perdas. Isso é ruim? Não! Cada perda é um aprendizado, cada perda é uma história que temos para contar.

Eu comecei falando que para compreender as nossas vidas é preciso compreender como lidamos com as nossas perdas. Essa frase faz parte do livro que se chama Perdas Necessárias da autora Judith Viorst. E o tempo todo no livro ela se propõe a mostrar que perdas são necessárias para nosso crescimento como seres humanos. Pois para crescer temos que perder, abandonar e desistir.

Durante nossa caminhada na vida crescemos e abrimos mão, renunciamos de muitos sonhos e projetos. Mas o principal é o que faremos com essa perda. A escolha é nossa e ninguém poderá fazer por nós. Ou escolhemos nos lamentar, parar nossa vida por conta do vazio ou escolhemos lutar e preencher essa lacuna com outros objetivos. Temos que ter resiliência, ou seja, que é a capacidade de lidar com os problemas da vida, adaptando-se as mudanças, superar obstáculos encontrando soluções para enfrentar.

É fácil lidar com a perda? Seja qual for? Claro que não. Não é. Dói, machuca, nós sofremos muito, mas precisamos encontrar uma saída. Pois talvez essa perda conviva conosco pelo resto da vida. Mas o que faremos dela? Ressignificar, dar um novo sentido a ela.

Há diversos exemplos de pessoas que deram outro sentido a suas dores. Por exemplo a perda do cantor cazuza em 1990, quando faleceu com a doença HIV, foi uma grande perda, não só pela sua família, mas para todos nós. A mãe dele, em seguida criou a Sociedade Viva Cazuza que cuida de crianças portadoras de HIV. Ela fez da perda do seu único filho, da sua dor um ato de amor ao próximo. Esse é um exemplo de outro sentindo a uma perda. Ela esqueceu do filho? Esqueceu da perda? Não. Mas deu um rumo novo a sua dor.

A perda de um amor. Quem nunca sentiu aquela dor de cotovelo? De perder um grande amor? Só o tempo pra curar.

Não podemos e nem devemos ter o pensamento infantil de achar que porque eu? Por que deus fez isso comigo? Ninguém fez nada com você! É o rumo da vida. As coisas acontecem e precisamos ser maduros para lidar com esses momentos de perdas e crise e aproveitar a oportunidade para revermos a vida, nossos conceitos e nossas crenças.

Procurar ajuda profissional, procurar um psicólogo vai te fazer rever seus conflitos internos, suas crenças, seus medos, pois na perda ha o medo do que vem depois? E agora? Na perda, há a perda de controle da situação e ficamos apavorados.

A psicoterapia vai te ajudar a olhas as situações por um outro ângulo com novas possibilidades, revisitar nosso eu interior e nos refazer.

Muito comum quando a esposa fica viúva ou o marido viúvo tem a fala: como será a minha vida agora? Sem ele do meu lado? Eu vivia para ele, e agora? Vamos buscar seu lado saudável, respeitando o período do luto, mas vamos tentar encontrar quem é essa pessoa além da esposa? Quem você era? Pois você perdeu a posição de esposa ou marido, mas ainda continua viva! O que vamos fazer agora? Nós ganhamos evolução pessoal quando colocamos de lado nosso ego e suportamos a dor da perda.

“Na natureza nada se perde, tudo se transforma” já dizia Lavoisier.

Importante viver essa perda, viver essa dor, não esconda embaixo do tapete nem finja ser forte. Sinta a dor e busque ajuda negar, estaremos protelando a dor.

Aceitar que não teremos mais aquilo, dando outro sentido para o vazio que a dor deixou, por algo positivo. Você pode escolher, ou viver se lamentando pela vida toda ou ter a coragem de continuar vivendo com todas as nossas cicatrizes das perdas, pois esse é o objetivo da vida, viver superando sempre!

Tenha autocompaixão, não se culpe pelo momento de dor que você está vivendo, perdas ocorrem na vida de todos nós. Encontre forças e busque ajuda que a vida segue em frente. Temos a mania de olharmos sempre para o negativo das perdas, mas o que sobrou dela, há muitas coisas boas em volta!

Vamos sempre lembrar: somos protagonistas de nossas vidas

Fernanda Gamal

Psicóloga e Pedagoga

 

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